quinta-feira, janeiro 17, 2008
O primeiro poema da manhã
domingo, janeiro 13, 2008
Palavras com cheiro a tempo.
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Somos
Le Revenat, le Fantôme et le Fantasme

Do lado direito do passeio ia o Revenant, no meio o Fantôme e na outra ponta o Fantasme.
Revenant tinha o seu rosto muito pálido e as olheiras bastante acentuadas que em tempos lhe deveriam sobressair imenso os olhos meio verdes. Usava uma boina de campones e em tempos fora uma pessoa muito bem disposta com tendencia para muitos sorrisos e lengalengas. Era um medo bem disposto, mas hoje somente restavam em si palavras que ficaram por dizer qm dias passados. A sua voz não pode ser mais ouvida e o seu corpo não consegue encontrar um lugar em mim onde encostar a cabeça e descançar.
No meio ia o Fantôme. Esse era o meu medo mau. Este era um medo muito muito misterioso que não se dava facilmente a conhecer, a menos que isso envolvesse muito sofrimento e esforço da minha parte. Era o único medo com o qual eu raramente falava, conhecia a sua existencia, mas sempre tive muita tendencia em ignora-lo durante os dias felizes. Sem duvida alguma, o Fantôme era o mais inoportuno de todos os medos e aparecia sempre sem avisar previamente. Visitava-me sem avisar e em alturas em que não era muito bem vindo.
Era um homem de estatura média e tinha o cabelo oleoso, muito agarrado à cabeça. A sua pele era grossa e brilhante, não tinha um aspecto bonito. Era um medo de poucas conversas, e o seus silêncios, pouco eloquentes, perturbavam-me a existencia.
No lado esquerdo, junto à beira da estrada seguia Fantasme. Este era um medo exibicionista por excelencia. aparecia muitas vezes junto a mim quando era apenas uma criança. Lembro-me das minhas amigas também me falarem da existencia dele, mas sempre com cotornos muito diferentes da precepção que eu tinha dele. Lembro-me que, a maior parte das vezes que me vinha visitar, trazia umas orelhas compridas muito grandes e escondia-se atrás da porta do meu quarto para a minha mãe não o encontrar.
O Fantasme é o mais cobarde dos meus três medos. É facilmente ignorado quando começamos a deixar de ter medo do escuro e começamos a perceber que afinal ele faz parte da nossa imaginação. Quando crescemos e isso acontece, o Fantasme pede ajuda ao Reverant e tenta socorrer-se dos seus poderes de metamorfose para nos criar situações complicadas. Este é o unico medo que me põe a rir, talvez por ser o mais antigo e ter mais histórias para contar.
terça-feira, janeiro 08, 2008
domingo, janeiro 06, 2008
Ardes vagarosamente em mim
Deixa arder
Já existe dióxido de carbono a menos no ar
que as palavras que me deixas consomem-me sozinhas
Deixa que as frases fervam o sono até ele se evaporar
as pedras da sopa ficarão de fora só para eu ter que mastigar
a tua fome.
A cabeça evapora as minhas melhores ideias,
as menos frescas, as mascarradas, as terminais.
De ponta a ponta vejo que queima sem cessar,
silênciosamente.
Deixa arder em mim,
não há pressa, apenas mais fumo no ar.
Deixa ferver.
sábado, janeiro 05, 2008
- Era um Carioca de limão e uma boa conversa, sff.
quinta-feira, janeiro 03, 2008
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Resposta:
Às minhas preces sem religião, às preces pouco
devotas de quem parece não acreditar
em mais nada.
Não fui feita para acreditar, também não desconfio, apenas
questiono.
Se eu não questionar, tu nunca serás a minha resposta.
Quando a luz diminuir e tapar as cores da nossa vista
os braços procurarão o caminho. Os nossos braços serão
os nossos olhos das sensações sem cores,
tocarão sentimentos incolores com as mãos.
Quando falatarem cores e texturas aos sentimentos,
quando deixarmos de acreditar nas preces,
teremos de aprender a viver outra vez,
para sentirmos de novo, de todas as maneiras.
E será sempre a mesma história, a mesma descoberta
sem percebermos bem o porquê. Somente para voltar a questionar.
No final, qual será a minha resposta?
segunda-feira, dezembro 17, 2007
De passagem.
mulheres que ficam de pé a olhar para o nada.
Gosto de míudos constipados e ranhosos.
Dos pais que cheiram a café e usam lenços de pano,
Das mães que não vêm nada porque não estavam lá.
Gosto de quando não chove e também não faz sol,
de quando ando com roupa a mais pendurada nos braços.
Do Natal e das férias grandes.
Gosto dos homens que cheiram a café e têm medo de bichos,
que se arrepiam a falar de coisas que não contam a ninguém.
Gosto quando as mulheres apáticas acordam para ir às compras.
Das crianças que gostam do Verão porque não se lembram do
do peso dos livros nas costas.
Gosto de ver alguém a escrever com o cigarro pendurado na mão.
Gosto quando isso acontece num café, quando as empregadas apontam
pedidos de cabeça na lua porque não têm fome.
[E eu gosto de muito pouca coisa.]
quarta-feira, novembro 14, 2007
Estranho. [ no metro em metro]

De fatos de trabalho, de cerimónia
fruto de muitas palavras que apontadas das canetas
poderiam ter sido bocas de animais
que não sabem escrever.
De gravatas enforcadas no pescoço,
reflexo do espelho que os outros têm de nós mesmos
Sou fruto de imagens de objectivas manipuladas,
Sou parte do teu ódio ao uso da pontuação correcta,
como nos botões dos fatos que apertas,
esses que são mais teus que as minhas memórias que não te existem.
E os barcos despidos
de desejos oprimidos em mar chão, de marés como as luas,
sabes que sou de gente, de tempos, de águas.
De coisas que não são tuas.
sábado, novembro 03, 2007
Avant La Haine (Romain Duris & Joanna Preiss)

Lui :
Sais-tu ma belle que les amours
Les plus brillantes ternissent
Le sale soleil du jour le jour
Les soumet au suplice
J'ai une idée inattaquable
Pour éviter l'insupportable
Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là s'il te plait
Elle :
Mais je t'embrasse et ça passe
Tu vois bien
On s'débarrasse pas de moi comme ça
Tu croyais pouvoir t'en sortir,
En me quittant sur l'air
Du grand amour qui doit mourir
Mais vois-tu je préfère
Les tempêtes de l'inéluctable
A ta petite idée minable
Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là dis-tu
Lui :
Mais tu m'embrasses et ça passe
Je vois bien
On s'débarrasse pas de toi comme ça
Lui :
Je pourrais t'éviter le pire
Elle :
Mais le meilleur est à venir
Ensemble :
Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
quarta-feira, outubro 17, 2007
Charlotte: I'm in. I'll go pack my stuff.
Bob: I hope that you've had enough to drink. It's going to take courage.
Lost in translation
terça-feira, setembro 25, 2007
sábado, setembro 08, 2007
Rascunhos de Uma Conversa Imaginária [Artistas]
-As voltas das palavras criativas iguais a todas as outras, mas conjugadas com imaginação.
-Não somos iguais a todos os outros, somos apenas parte deles.
-Falamos dialectos semelhantes com pontos de discórdia, mais além.
-Discutimos de um modo engenhoso porque somos artistas de nós mesmos.
-E trabalhamos com as mãos, moldamos as ideias e os corpos e sorrimos perante obstaculos (sabemo-nos fracos).
-Somos fracos em crescimento, fracos em evolução. Sempre fomos menos mas somos sempre, nós. [nos outros somos diferentes]
-Temos ideias grandes em corpos pequenos, encontramos a beleza visual no disforme da mente. Só na mente existe deformação.
-Temos o mundo todo dentro de nós, completamos uma peça do universo quando saímos de dentro.
-Os meus pensamentos pertencem a todos os lugares que eu sou e sujam guardanapos de papel.
terça-feira, agosto 28, 2007
Contradição
Não basta gostar,
pensar que se gosta e que se quer sempre muito.
Ler o amor em todo o lado
é problema dos olhos,
o coração não ve.
O coração sente coisas, qualquer coisa
em forma de sentimento.
E o amor não tem forma, é imaginação.
Ar que ocupa espaço e torna o peito denso,
forte [ é por isso que suspiro]
Não basta amar, pensar que se ama
pode ser doença.
Se o coração bate mais depressa é porque não há trânsito
se não bate não há desporto que resolva o problema.
O coração tem manias, escolhe quando
bate mais depressa [ engana-te sempre]
Escolhe um alvo e atira-se, corre depressa
pensa que gosta, que quer muito, mas o
coração não ve, o coração não pensa.
[ o coração precipita-se]
E o amor dissipa-se, escapa, foge, esconde-se
na cabeça. Ela pensa, ela ve, ela fala.
O amor não gosta do coração, são contradição.
quinta-feira, agosto 16, 2007
Partida.

Vais embora. Dentro de uma mala de cartão num dia de chuva, fechada na página de um livro de fantasia com uma história pequenina igual a tantas outras.
Arrumaste o coração no meio das roupas de verão entre as camisolas e os biquínis, as histórias do passado e as frases bonitas. A tua mala pesa o peso da tua vida, e o coração pequenino do tamanho da tua mão é leve e sabe voar.
Levas no rosto uma expressão de plenitude que brilhará à medida que os teus olhos percorrerão o rasto do caminho. De janela aberta, o vento no cabelo levará com ele a carícia que faltou o ano inteiro, a mão que não espalhou carinho e paz e que te acompanhará na viagem de mais uma depressão sazonal. No teu regaço dormirá um livro que te roubou sorrisos e te acompanhará em horas e horas de silêncios comuns.
- Vais embora amanhã...
- Vou...
- Quem me dera que esse brilho com que me olhas viesse de dentro do teu coração.
sábado, agosto 11, 2007
A última palavra do meu poema és tu.

O suicídio das palavras que se equilibram vertiginosamente,
que tentam saltar sem olhar para a linha de baixo
acabando por destruir as outras que não são melhores,
que são o fim do poema.
Não consideram digno ser as primeiras, as palavras
a imagem rabiscada de trás para a frente.
Significado,
as palavras morrem para ganharem das minhas mãos
a vida perpétua.
Uma condenação justa num poema sentido.
Escravas de tinta negra que nasce na ponta da caneta,
enrolando-se em linhas horizontais,
infinito,
trabalhadas com rigor em cima de um papel qualquer,
carregando nas costas ideias que ficaram na cabeça, nos restos do embrião,
A mãe literatura é igual à mãe natureza.
Um poema é a palavra condenada à imensidão.
A poesia acalma a dor.
[das palavras]

