[Paris]
quinta-feira, janeiro 03, 2008
quarta-feira, dezembro 26, 2007
Resposta:
Às minhas preces sem religião, às preces pouco
devotas de quem parece não acreditar
em mais nada.
Não fui feita para acreditar, também não desconfio, apenas
questiono.
Se eu não questionar, tu nunca serás a minha resposta.
Quando a luz diminuir e tapar as cores da nossa vista
os braços procurarão o caminho. Os nossos braços serão
os nossos olhos das sensações sem cores,
tocarão sentimentos incolores com as mãos.
Quando falatarem cores e texturas aos sentimentos,
quando deixarmos de acreditar nas preces,
teremos de aprender a viver outra vez,
para sentirmos de novo, de todas as maneiras.
E será sempre a mesma história, a mesma descoberta
sem percebermos bem o porquê. Somente para voltar a questionar.
No final, qual será a minha resposta?
segunda-feira, dezembro 17, 2007
De passagem.
mulheres que ficam de pé a olhar para o nada.
Gosto de míudos constipados e ranhosos.
Dos pais que cheiram a café e usam lenços de pano,
Das mães que não vêm nada porque não estavam lá.
Gosto de quando não chove e também não faz sol,
de quando ando com roupa a mais pendurada nos braços.
Do Natal e das férias grandes.
Gosto dos homens que cheiram a café e têm medo de bichos,
que se arrepiam a falar de coisas que não contam a ninguém.
Gosto quando as mulheres apáticas acordam para ir às compras.
Das crianças que gostam do Verão porque não se lembram do
do peso dos livros nas costas.
Gosto de ver alguém a escrever com o cigarro pendurado na mão.
Gosto quando isso acontece num café, quando as empregadas apontam
pedidos de cabeça na lua porque não têm fome.
[E eu gosto de muito pouca coisa.]
quarta-feira, novembro 14, 2007
Estranho. [ no metro em metro]

De fatos de trabalho, de cerimónia
fruto de muitas palavras que apontadas das canetas
poderiam ter sido bocas de animais
que não sabem escrever.
De gravatas enforcadas no pescoço,
reflexo do espelho que os outros têm de nós mesmos
Sou fruto de imagens de objectivas manipuladas,
Sou parte do teu ódio ao uso da pontuação correcta,
como nos botões dos fatos que apertas,
esses que são mais teus que as minhas memórias que não te existem.
E os barcos despidos
de desejos oprimidos em mar chão, de marés como as luas,
sabes que sou de gente, de tempos, de águas.
De coisas que não são tuas.
sábado, novembro 03, 2007
Avant La Haine (Romain Duris & Joanna Preiss)

Lui :
Sais-tu ma belle que les amours
Les plus brillantes ternissent
Le sale soleil du jour le jour
Les soumet au suplice
J'ai une idée inattaquable
Pour éviter l'insupportable
Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là s'il te plait
Elle :
Mais je t'embrasse et ça passe
Tu vois bien
On s'débarrasse pas de moi comme ça
Tu croyais pouvoir t'en sortir,
En me quittant sur l'air
Du grand amour qui doit mourir
Mais vois-tu je préfère
Les tempêtes de l'inéluctable
A ta petite idée minable
Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
Brisons-là dis-tu
Lui :
Mais tu m'embrasses et ça passe
Je vois bien
On s'débarrasse pas de toi comme ça
Lui :
Je pourrais t'éviter le pire
Elle :
Mais le meilleur est à venir
Ensemble :
Avant la haine, avant les coups
De sifflet ou de fouet
Avant la peine et le dégout
quarta-feira, outubro 17, 2007
Charlotte: I'm in. I'll go pack my stuff.
Bob: I hope that you've had enough to drink. It's going to take courage.
Lost in translation
terça-feira, setembro 25, 2007
sábado, setembro 08, 2007
Rascunhos de Uma Conversa Imaginária [Artistas]
-As voltas das palavras criativas iguais a todas as outras, mas conjugadas com imaginação.
-Não somos iguais a todos os outros, somos apenas parte deles.
-Falamos dialectos semelhantes com pontos de discórdia, mais além.
-Discutimos de um modo engenhoso porque somos artistas de nós mesmos.
-E trabalhamos com as mãos, moldamos as ideias e os corpos e sorrimos perante obstaculos (sabemo-nos fracos).
-Somos fracos em crescimento, fracos em evolução. Sempre fomos menos mas somos sempre, nós. [nos outros somos diferentes]
-Temos ideias grandes em corpos pequenos, encontramos a beleza visual no disforme da mente. Só na mente existe deformação.
-Temos o mundo todo dentro de nós, completamos uma peça do universo quando saímos de dentro.
-Os meus pensamentos pertencem a todos os lugares que eu sou e sujam guardanapos de papel.
terça-feira, agosto 28, 2007
Contradição
Não basta gostar,
pensar que se gosta e que se quer sempre muito.
Ler o amor em todo o lado
é problema dos olhos,
o coração não ve.
O coração sente coisas, qualquer coisa
em forma de sentimento.
E o amor não tem forma, é imaginação.
Ar que ocupa espaço e torna o peito denso,
forte [ é por isso que suspiro]
Não basta amar, pensar que se ama
pode ser doença.
Se o coração bate mais depressa é porque não há trânsito
se não bate não há desporto que resolva o problema.
O coração tem manias, escolhe quando
bate mais depressa [ engana-te sempre]
Escolhe um alvo e atira-se, corre depressa
pensa que gosta, que quer muito, mas o
coração não ve, o coração não pensa.
[ o coração precipita-se]
E o amor dissipa-se, escapa, foge, esconde-se
na cabeça. Ela pensa, ela ve, ela fala.
O amor não gosta do coração, são contradição.
quinta-feira, agosto 16, 2007
Partida.

Vais embora. Dentro de uma mala de cartão num dia de chuva, fechada na página de um livro de fantasia com uma história pequenina igual a tantas outras.
Arrumaste o coração no meio das roupas de verão entre as camisolas e os biquínis, as histórias do passado e as frases bonitas. A tua mala pesa o peso da tua vida, e o coração pequenino do tamanho da tua mão é leve e sabe voar.
Levas no rosto uma expressão de plenitude que brilhará à medida que os teus olhos percorrerão o rasto do caminho. De janela aberta, o vento no cabelo levará com ele a carícia que faltou o ano inteiro, a mão que não espalhou carinho e paz e que te acompanhará na viagem de mais uma depressão sazonal. No teu regaço dormirá um livro que te roubou sorrisos e te acompanhará em horas e horas de silêncios comuns.
- Vais embora amanhã...
- Vou...
- Quem me dera que esse brilho com que me olhas viesse de dentro do teu coração.
sábado, agosto 11, 2007
A última palavra do meu poema és tu.

O suicídio das palavras que se equilibram vertiginosamente,
que tentam saltar sem olhar para a linha de baixo
acabando por destruir as outras que não são melhores,
que são o fim do poema.
Não consideram digno ser as primeiras, as palavras
a imagem rabiscada de trás para a frente.
Significado,
as palavras morrem para ganharem das minhas mãos
a vida perpétua.
Uma condenação justa num poema sentido.
Escravas de tinta negra que nasce na ponta da caneta,
enrolando-se em linhas horizontais,
infinito,
trabalhadas com rigor em cima de um papel qualquer,
carregando nas costas ideias que ficaram na cabeça, nos restos do embrião,
A mãe literatura é igual à mãe natureza.
Um poema é a palavra condenada à imensidão.
A poesia acalma a dor.
[das palavras]
quinta-feira, agosto 09, 2007
Xadrez
quarta-feira, julho 18, 2007
Apneia do Sono
enquanto a noite não adormece
quando o tempo se arrasta lentamente
e o silêncio fica preso nos ouvidos.
O corpo sente mais quando está dormente
e a cabeça encontra aquilo que não sabia perdido.
A noite espanca os sentidos
de quem o sono se esqueceu
Estás estupidamente vivo no momento
em que tudo morre da mesma forma ao teu redor
A conversa com a apatia do relógio
segundo a segundo
[sempre a mesma conversa]
Há sempre um pensamento a mais
e outra noite vivida a acrescentar.
Lado.
terça-feira, junho 19, 2007
[por momentos]
faziamos amor quando os dias ficavam compridos
quando o relógio se arrastava na cadência exacta
para os planetas se espalharem fora do universo.
choravamos nos braços um do outro enquanto
o nosso corpo se quebrava.
tínhamos aquilo que ninguém deve ter de alguém, Pena.
E choravamos. Por não encontrarmos o corpo pretendido,
por não encontrarmos os significados das palavras que
escrevemos em cima da cama. Nas linhas irregulares das nossas
sombras.
somos um só [por momentos] não somos mais nada. e
somos tão pouco, por sermos dois, num corpo só.
domingo, junho 10, 2007
Nas tardes em que nos caiam folhas sobre a cabeça, e que
nos nossos corpos jazia uma calma imensa, deixávamos
de pensar para somente sorrir.
As nossas mãos tocavam-se pelas sombras, só ai
era permitido partilhar. Silêncio com amor.
Tinha os meus cabelos sobre o verde, e tu tinhas os teus
nas minhas mãos. enquanto descansavas parte do teu corpo,
sobre o meu.
No jogo das sombras houve um toque entre nós, quando jogamos
na sombra falamos verdade.
As tardes em que fomos felizes debaixo da árvore, colaram sorrisos
provisórios na minha solidão. Era verdade e mentira na mesma hora. Riamos
dos sonhos possíveis e acreditávamos com força para acontecer o que era impossível.
Debaixo da árvore ficou a sombra do meu coração, silêncio
e um pouco de atenção.
sexta-feira, maio 18, 2007
O sangue dos outros.
Estamos condenados a ver no sangue dos outros a cura das nossas feridas, dos nossos buracos corroidos pelo alcatrão do caminho, e pelos pés de quem gostamos.
Amanhã o sol vai arder de novo, mas hoje é o melhor dia de todos os dias do mundo, e já doem os olhos de nunca ver nada na rua. Já secamos a ferida que tinham deixado a secar na chuva, o rasto de sangue percorreu todos os quilometros da vida para justificar o caminho em que nos dilaceramos. Existe uma enorme quantidade de dioxido de carbono no peito, somos toxicodependentes de sentimentos mutados, de anomalias irreversiveis apontadas nas partes de trás das portas.
Andamos em circulos constantemente, volta, voltamos, voltar, vir, voltaremos, girar, serpentear, todas estas voltas, muito rápido, trocamos os pés, não sabemos andar, ficamos tontos e caímos de pernas para o ar. Amanha voaremos presos pelo pescoço, com as pernas suspensas, com os cabelos a baterem na cara ao ritmo marcado pelo vento.
O sangue dos outros contorna-lhes o sorriso, lava-lhes as expressões que nos são familiares, e retiram-nos a vida que nos custa mais que a eles. A morte dói mais a quem não sente.
segunda-feira, maio 07, 2007
sexta-feira, maio 04, 2007
Mortos correm depressa.
Os mortos andam depressa, eu corro com o peso do tédio, com o pó dos dias a fugir de mim, patético de medo. Vou-me cristalizando na sombra, num estado de efevercência, numa resolução organica e harmoniosa de todos os fardos sem peso físico. Nada se resolve, tudo se mantem, sou uma pedra nostalgica, dura, fria, morta. Não sinto. Tudo me atinge e apenas se ve, não existe acto reflexo dentro de mim. Os mortos correm depressa, as pedras não sentem.

